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Bulimia Nervosa

Os transtornos alimentares são aqueles que têm como característica marcante a perturbação no comportamento alimentar. Dentre eles está a bulimia nervosa.

Se um indivíduo vem ingerindo, mais de duas vezes por semana, um grande número de alimentos num curto espaço de tempo, e se, ainda, esses episódios ocorrerem a três meses, sendo essa prática usa de meios não muito adequados para não apresentar ganho de peso como vômitos induzidos, o uso de purgantes (laxantes e diuréticos), prática de ginástica excessiva, pois tem uma extrema preocupação com sua forma física.

Nos casos descritos acima, o diagnóstico poderá ser de bulimia nervosa e é indicado procurar tratamento psicológico.

Histórico

A bulimia começou a ser mais estudada a partir de 1940, quando foi descrita junto com a anorexia. Russel teve uma participação marcante nessa época, pois desenvolveu um trabalho que se tornou muito importante na caracterização da bulimia nervosa, e nas histórias dos transtornos alimentares em geral.

A partir dos anos 60, começou a crescer o interesse pelos transtornos alimentares no campo da pesquisa e no público de maneira geral muito pelo aumento de divulgação da mídia, a ocorrência em pessoas famosas e a maior valorização da forma física.

A bulimia não havia sido reconhecida como um transtorno psiquiátrico até os anos 70, sendo que apareceu no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais III (DSM III) somente nos anos 80.

A partir daí, houve uma maior conscientização deste transtorno e o aprimoramento das técnicas do diagnóstico e dos métodos de tratamento.

Características

Segundo o DSM IV, a bulimia nervosa caracteriza-se pela ingestão recorrente de grandes quantidades de alimentos, onde o comer compulsivamente tem que ocorrer pelo menos duas (2) vezes por semana nos últimos três (3) meses. Sendo ainda, acompanhados por um sentimento de culpa e de falta de controle.

O indivíduo apresenta, também, comportamentos compensatórios recorrentes, tais como vômitos autoinduzidos, uso de laxantes ou diuréticos, regimes rígidos, jejum ou exercícios vigorosos para evitar ganho de peso. Normalmente existe uma preocupação persistente e exagerada com a forma física.

Durante o ataque são ingeridos em torno de 2.000 kcal, embora já tenha sido relatada a ingestão de mais de 6.000 kcal. Os alimentos mais utilizados durante estes ataques têm alto teor de carboidratos e gordura como, por exemplo, sorvete, pães, doces etc. Os alimentos são ingeridos secreta e rapidamente, às vezes, sequer são mastigados, de modo que é comum o indivíduo nem mesmo sentir o gosto do alimento, ou seja, não acontece uma apreciação natural da comida.

O vômito é um dos comportamentos compensatórios utilizados que é, geralmente, induzido pela colocação do dedo na garganta, embora com o passar do tempo, os vômitos tornam-se reflexos. Essa prática diminui a dor abdominal e a sensação de inchação, permitindo que o indivíduo continue comendo sem medo de ganhar peso.

O DSM IV acrescenta ainda dois (2) tipos de bulimia, o subtipo purgativo e o não purgativo.

O subtipo purgativo é caracterizado pelo fato de métodos como o vômito induzido e o uso inadequado de laxantes e diuréticos serem usados para compensar a ingestão de grandes quantidades de alimento. O uso inadequado de laxantes pode causar problemas estomacais e digestivos, além do perigo de causar a desidratação e falta de potássio no organismo.

O subtipo não purgativo é aquele no qual os métodos compensatórios utilizados são o jejum prolongado, ou ainda a prática excessiva de exercícios físicos, porém, sem fazer uso da purgação e sem induzir o vômito logo após um episódio de ingestão de um grande número de alimentos. Alguns sintomas podem ser notados no indivíduo bulímico, tais como a fadiga, dor de cabeça, constipações, inchaços, dores abdominais, ciclos menstruais irregulares, erosão do esmalte dentário, machucados nas mãos e nos dedos causados pela indução do vômito. Pode, ainda, apresentar episódios de Tricotilomia (arrancar os próprios cabelos) e Tricolofagia (comê-los), e episódios de cleptomania e de depressão.

Etimologia

A bulimia se desenvolve a partir de alguns fatores, como os que serão descritos abaixo:

Fatores Biológicos

Foram feitas entrevistas clínicas e testes de personalidade com 2.163 gêmeos idênticos e fraternos. Dentre as gêmeas do sexo feminino foi percebido que a hereditariedade de comer compulsivamente é muito alta. De acordo com um estudo retirado da internet, quando uma das gêmeas monozigóticas, ou seja idênticas, desenvolve bulimia, a chance da outra também vir a desenvolver é de 23%, essa porcentagem é oito (8) vezes maior do que a da população em geral.

Já para gêmeas dizigóticas, ou seja, fraternas, a possibilidade da outra vir a desenvolver é de 9%, sendo três (3) vezes maior do que a taxa para a população em geral.

Outras pesquisas apontaram que os níveis de endorfina plasmática estão aumentados em alguns pacientes com bulimia nervosa que, quando vomitam, possuem sentimentos de bem-estar, que possam ser mediados por aumento nos níveis de endorfinas.

Fatores Sociais

O contexto social em que o indivíduo está inserido influencia seu autoconceito. Talvez o maior exemplo seja a mídia de um modo geral, que veicula a imagem de que para ser bonita e feliz é necessário estar com um corpo magro, criando assim, uma pressão para que as pessoas tentem se adequar a este padrão. Com essa afirmação dos meios de comunicação, inicia-se uma corrida sem precedentes para chegar ao estereótipo estipulado.

Fatores Familiares

Em uma pesquisa retirada da internet, foi constatado que os indivíduos que desenvolvem bulimia pertencem a uma família que em geral dá extrema importância à aparência. Ao menos um dos pais é muito exigente e crítico com relação aos filhos, são aqueles pais que comparam seus filhos entre si, e o indivíduo que posteriormente vem a desenvolver bulimia é, normalmente, o mais desvalorizado.

Nessas famílias, ocorre muita proteção por parte dos pais, pois estes não dão autonomia aos filhos, sendo na maior parte do tempo rígidos a mudanças, apresentando dificuldades em aceitar o crescimento do indivíduo. Há ainda uma dificuldade na comunicação e expressão dos sentimentos, o que dificulta ainda mais a solução do problema.

Fatores Psicológicos

Os indivíduos com tendência a desenvolver bulimia são autocríticos, perfeccionistas e sensíveis a críticas, o que os deixam vulneráveis às pressões sociais. Usualmente, esses indivíduos têm baixa autoestima e apresentam algum quadro de ansiedade.

Pacientes com bulimia apresentam dificuldades em controlar seus impulsos, o que pode levar a dependência em substâncias, como por exemplo, o álcool, além de comer compulsivamente e induzir a purgação. As duas últimas são características marcantes desse transtorno alimentar.

Epidemiologia

A bulimia é um transtorno relativamente difícil de ser detectado, pois a maioria dos pacientes não se considera doente ou ocultam seus sintomas por vergonha. Contudo, as estimativas de bulimia nervosa variam de 1% a 3% das mulheres adolescentes e no início da vida adulta, conforme está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais IV (DSM IV).

Em crianças a ocorrência é baixa, sendo que foram detectados apenas 70 casos nos últimos cinco (5) anos.

Em homens a bulimia é rara, sendo que varia de 4% a 13% da população total de pacientes que apresentaram o transtorno. A idade média de aparecimento em homens é de 21 a 24 anos de idade.

A maior incidência é em mulheres (mais de 90%) das classes média e alta, sendo mais frequente na raça branca. Pessoas com profissão ou atividades que valorizam a forma física – por exemplo, modelos, bailarinas e atletas – são mais suscetíveis. A bulimia parece ser bem mais prevalente em sociedades industrializadas, onde há abundância de alimentos e onde a beleza está associada à magreza.

Em uma pesquisa realizada nos EUA, com 2000 mulheres (estudantes do colegial), em 1986, foi detectado que um número próximo de 5% dessa população já teve algum transtorno alimentar e aproximadamente 4% dessa população, admitiram ter sintomas de bulimia.

Diagnóstico Diferencial e Comorbidades

O diagnóstico da bulimia nervosa não deve ser feito se os comportamentos de compulsão e purgação não forem exibidos com frequência, mas ocorrerem exclusivamente, durante episódios de anorexia nervosa. Neste caso o diagnóstico seria sem dúvida de anorexia.

Aproximadamente 40% dos pacientes que desenvolveram bulimia, já tiveram um episódio de anorexia, embora a ocorrência de bulimia seja, pelo menos, duas (2) ou três (3) vezes mais comum que a anorexia

Outra característica que diferencia de forma marcante a anorexia da bulimia é que os anoréticos apresentam grande perda de peso, além do desejo de estar sempre reduzindo, ainda mais, o suas medidas. No entanto, os bulímicos transformam o ato de comer numa forma de adquirir uma satisfação psicológica e biológica, pois comer reduz a ansiedade do indivíduo, o que também é uma forma de obtenção de prazer - satisfação psicológica - e, biologicamente, satisfaz suas necessidades físicas.

Outro transtorno que pode ser diferenciado de bulimia é o transtorno de humor, o qual é difícil definir se aparece antes ou após os episódios que caracterizam o quadro bulímico, uma vez que eles podem se desenvolver ao mesmo tempo. Muitas vezes a diferenciação só pode ser feita após a recuperação parcial do indivíduo.

O Transtorno Disfórmico Corporal só deve ser considerado se a distorção de percepção do paciente não está ligada somente a forma e tamanho do corpo, por exemplo, a preocupação de que um dos olhos não esteja simétrico ao outro.

Alguns distúrbios gastro intestinais, que podem ser sérios e até mesmo fatais, ocorrem associados à bulimia, como dilatação gástrica aguda inclusive com a possibilidade de ruptura, hipertrofia de parótidas, desgaste do esmalte dentário, esofagite, ruptura esofagiana, esvaziamento gástrico intestinal, Síndrome do Cólon irritável, hipopotassemia, que ocorre com alguma frequência, por estar associada aos vômitos crônicos e ao uso de diuréticos e laxantes.

A bulimia pode ocorrer, ainda, em pacientes com altas taxas do Transtorno de Controle dos Impulsos. Pode co-existir com a dependência de álcool, Transtorno Bipolar l, Transtornos Dissociativos, histórias de Abuso Sexual, Transtorno Depressivo, e ainda alguma história de Obesidade na vida do indivíduo.

Um terços dos pacientes com bulimia apresentam sazonalidade, ou seja, a bulimia é mais forte no inverno e nos dias nublados, com pouca luminosidade.

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