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Quem tem medo do PMMA?

Quantas vezes você ouviu que determinada pessoa aplicou PMMA e passa muito bem, obrigado? Poucas ou talvez nenhuma. Por outro lado, casos de complicação com polimetilmetacrilato costumam chegar aos nossos ouvidos com uma frequência bem maior. Mas sabe aquele ditado: notícia ruim chega rápido? Pois dizem também que quando ela é falsa, se propaga na velocidade da luz. Já parou para pensar que as más notícias sobre PMMA podem ser mais uma fake news? Impossível? Pois saiba que sete em cada dez brasileiros acreditam em fake news sobre vacina. Vamos ver então como a verdade dos fatos pode nos aproximar mais da realidade.

O primeiro questionamento que deve ser feito quando vemos um caso de complicação é se o produto aplicado foi mesmo PMMA. Utilizado na medicina há mais de 70 anos, sendo 30 como preenchedor, o PMMA é uma substância liberada pela Anvisa utilizada tanto para fins estéticos quanto reparadores, aplicada sem internação, cirurgia, corte ou cicatriz, em menos de uma hora, que permite retorno à rotina no mesmo dia, estimula colágeno e tem efeito permanente. Mas todos esses atributos têm um custo significativo, tanto para o profissional quanto para o paciente. Então, a fim de ofertar um procedimento mais acessível e aumentar seus lucros, alguns profissionais oferecem preenchimento com PMMA e acabam utilizando silicone líquido, um produto de uso industrial não biocompatível,  ou hidrogel, que é proibido pela Anvisa desde 2014. Se o paciente não exigir que o produto seja aberto na sua presença para que possa ver validade e lote, dificilmente perceberá a diferença.

A possibilidade de aplicar PMMA fora do hospital é outro fator que contribui para a adoção de práticas equivocadas, como acreditar que o procedimento pode ser realizado por qualquer profissional. Embora a Anvisa não delimite a aplicação de PMMA a uma classe profissional específica, é importante levar em consideração o alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia para o fato de que “procedimentos estéticos [invasivos] devem ser realizados apenas por médicos, que são profissionais habilitados para também tratar as eventuais complicações”. O entendimento comum é de que um procedimento não cirúrgico é simples, sendo desprezível a formação e a experiência do profissional ou sua participação em cursos e eventos de atualização.

E as complicações que aconteceram com aplicação de PMMA pelo Dr. Bumbum e causaram a morte de uma paciente?

Apesar de ser médico, utilizar PMMA e do produto ter liberação da Anvisa, o Dr. Denis Furtado realizava procedimentos em ambiente sem alvará da vigilância sanitária, o que é uma condição essencial do licenciamento sanitário para o funcionamento de serviços de assistência à saúde.

Para prevenir complicações é preciso levar em consideração, produto, profissional e também o ambiente onde o procedimento será realizado. É fundamental que o local tenha alvará da vigilância sanitária atestando “as boas condições físicas, higiênico-sanitárias e documental do mesmo, com ênfase nos processos de trabalho relacionados à saúde dos usuários, dos trabalhadores e no consequente impacto clínico-epidemiológico, em cumprimento às prerrogativas existentes na legislação sanitária vigente”.

Então quer dizer que quando o preenchimento é realizado por médico experiente, com PMMA aprovado pela Anvisa e em local com condições ideias de higiene o…

PMMA é seguro?

Sim. No entanto, como vimos a utilização de PMMA como implante injetável é um procedimento médico, e como tal, possui riscos. Características particulares de cada organismo tornam impossível garantir a segurança de qualquer tratamento médico, e com PMMA não é diferente. No entanto, a substância tem sido estudada exaustivamente para minimizar ao máximo as chances de complicações. Dois trabalhos recentes apontaram riscos reduzidos na utilização de PMMA como produto injetável. O primeiro, divulgado em 2016 durante o 1° Simpósio Consenso Brasileiro de Implantes Infiltrativos foi realizado com 36 médicos de todo o Brasil e registrou apenas 719 complicações entre 87.371 preenchimentos faciais e corporais realizados com PMMA, o equivalente a 0,823% do total. O segundo estudo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAEE número 86722118.8.0000.5291) e publicado em junho de 2019 na revista Plastic and Reconstructive Surgery da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, acompanhou mais de 1.500 pacientes por 10 anos totalizando quase 3.000 procedimentos e apontou risco inferior a 2% em aumento de glúteos com PMMA.

Mas o PMMA não foi proibido pela Anvisa?

Não. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, “o produto está autorizado para correção de lipodistrofia e correção volumétrica facial e corporal”. No que diz respeito ao procedimento corporal, especialmente à bioplastia de glúteos, a Anvisa também esclarece que o produto não é contraindicado para aplicação nos glúteos para fins corretivos. Porém, não há indicação para aumento de volume, seja corporal ou facial. Cabe ao profissional médico responsável avaliar a aplicação de acordo com a correção a ser realizada e as orientações técnicas de uso do produto”.

Ainda desconfia do PMMA?

Além dos índices reduzidos de complicações apontados pelos estudos, o artigo publicado na revista Plastic and Reconstructive Surgery, fez uma comparação também entre o aumentos de glúteos com PMMA e as cirurgias de implante de silicone e lipoescultura, revelando que técnicas referendadas possuiam índices de efeitos adversos na casa dos 30% e 11%, respectivamente, muito acima do 1,88% do preenchimento. As principais intercorrências foram hematoma, seroma e equimose, o que levou a outro dado importante, a conclusão de que não existe ligação direta entre as intercorrências e o volume de PMMA implantado, que foi em média de 321 ml. Hematoma, seroma e equimose são reações naturais do organismo em resposta a qualquer procedimento minimamente invasivo.

Mas esse pmma não foi o mesmo que a Andressa Urach preencheu glúteos e coxas e quase perdeu a vida?

Não. Em nota, o Grupo Hospitalar Conceição, que atendeu a modelo e apresentadora de TV Andressa Urach na época, atestou que a causa de infecção foi o hidrogel.

Qual a diferença de PMMA para hidrogel?

Do ponto de vista da médico, a principal diferença entre o hidrogel e o PMMA está relacionada a falta de compatibilidade biológica da poliamida, polímero presente na composição do hidrogel. Enquanto o PMMA é um produto biologicamente compatível utilizado na medicina há 80 anos para diferente finalidades, a poliamida é utilizada para produção de náilon e de materiais da indústria têxtil, não havendo qualquer referência ao produto na medicina. Em 2008 o produto foi liberado pela Anvisa para ser utilizado no Brasil como implante injetável, surgindo evidências de que alguns riscos do hidrogel são migração, infecção e rejeição. As frequentes complicações verificadas nos preenchimentos com o produto levaram a não renovação do registro do Hidrogel em março de 2014 e a constatação de que a poliamida não é biologicamente compatível com o corpo humano.

Qual a diferença entre silicone líquido e PMMA?

O silicone líquido é composto por cadeias de dimetilsiloxano, um polímero desenvolvido para uso industrial sem estudos direcionados a sua aplicação para aumento de tecidos moles, enquanto o PMMA é utilizado como preenchedor há mais de 30 anos, encontrando-se hoje em sua quarta geração, um produto livre de impurezas, com microesferas de tamanho regular e superfície nano texturizada, fatores que reduzem consideravelmente o risco de granuloma, infecção, alergia, rejeição e aumentam a fixação e o estímulo à produção de colágeno.

Conclusão

Cientificamente todos os estudos levam a crer que o preenchimento com PMMA é um procedimento seguro, no entanto, como dissemos no início da postagem, “notícia ruim chega rápido” e infelizmente soterra os bons resultados. Além do bem-estar promovido pelos procedimentos estéticos, a recuperação da autoestima proporcionada pelos preenchimentos reparadores nos casos de lipodistrofia, síndrome de Poland, síndrome de Parry Romberg, lábio leporino e tantas outras, é inegável. Portanto, quanto mais estudos forem produzidos sobre o tema, maiores serão as provas científicas e menor será o preconceito acerca do PMMA.

Aguardamos ansiosos para responder quaisquer perguntas adicionais que você possa ter em nossa próxima consulta.

Autor do conteúdo

foto de perfil do dr roberto chacur DR. ROBERTO CHACUR

Médico Cirurgião – Diretor da Clínica Leger
CRM-RJ 953687 | CRM-SP 124125 RQE-SP 33433

– Experiência de 14 anos trabalhando exclusivamente com pesquisa e realização de preenchimento
– Speaker no Congresso Mundial de Dermatologia (Milão, Itália)
– Coordenador do estudo de caso sobre Aumento de Glúteos com PMMA: um estudo de coorte de 10 anos (PRSGO Journal)
– Autor do livro Ciência e Arte do Preenchimento (Editora AGE)
– Instrutor do Workshop sobre Preenchimento de Glúteos e Goldincision (SP)
– Membro da Sociedade Americana de Laser para Medicina e Cirurgia (ASLMS)
– Associado à Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia (SBLMC)
– Residência em Cirurgia Geral pela Universidade Luterana do Brasil (RS)
– Formado em Medicina pela Universidade Luterana do Brasil (RS)