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Vitiligo

Causas, sintomas, evolução e tratamento do Vitiligo

Vitiligo é uma doença que provoca o aparecimento de manchas brancas em qualquer tom de pele. As acromias podem ser isoladas ou espalhar-se pelo corpo, atingindo principalmente os genitais, cotovelos, joelhos, face, mãos e pés. Relatos de sensibilidade e dor são raros, contudo, apesar de não causar comprometimento físico, o problema é motivo de preconceito.

Existem três teorias sobre as causas do vitiligo, cada uma delas justifica uma versão da doença. A principal causa da doença está ligada a teoria autoimune, que explica o desenvolvimento do vitiligo como um ataque de anticorpos aos melanócitos, células produtoras da melanina que dá cor à pele. Segundo a teoria neural, o vitiligo surge a partir do estresse, responsável pela liberação de neuropeptídeos, que também são agentes neutralizadores de melanócitos. Uma outra teoria, chamada de citotóxica, atribui o vitiligo à hidroquinona e seus derivados, substância utilizada para clareamento de pele e que também está contida em tecidos emborrachados e coloridos artificialmente.

ilustração vitiligo

Além disso, existe uma predisposição genética que está presente entre 20% e 30% dos casos. Quando há histórico familiar ou quando o vitiligo está desenvolvido, ele pode aparecer em áreas que sofrem traumas localizados frequentes como mordida de animais, queimaduras, lacerações, dermatite e até mesmo em razão de atrito constante sobre certa região da pele, incluindo o uso de giletes ou ceras depilatórias. O desenvolvimento da doença a partir de traumas como tatuagens, coceira frequente ou contato periódico com joias, óculos e pentes é chamado de resposta isomórfica ou Fenômeno de Koebner. O próprio hábito de esfregar ou cutucar a mão ou o cotovelo, incluindo utilizá-lo como apoio na mesa, pode provocar vitiligo em quem tem propensão.

Metade dos pacientes que desenvolvem vitiligo apresentam as primeiras lesões antes dos 20 anos de idade na pálpebra ou ao redor da boca. A evolução do problema é imprevisível, podendo tanto evoluir como permanecer estável ou até regredir espontaneamente. Em alguns casos é possível a cura definitiva, obtida mais facilmente em regiões hipocrômicas, que apresentam núcleos pigmentados, onde melanócitos demonstram manter alguma atividade, o que facilita sua multiplicação mediante tratamento. Por isso, como em qualquer outra doença, o diagnóstico precoce é muito importante. O diagnóstico do vitiligo é feito por biópsia cutânea que busca evidências de melanócitos para confirmar ou não a doença. Manchas brancas podem surgir na pele por outros motivos como leucodermia solar, as famosas sardas brancas, ou ainda na forma de “micose de praia”.

O vitiligo pode acompanhar o trajeto de um nervo, desenvolvendo-se em apenas um lado do corpo ou pode espalhar-se bilateralmente. Estes são os tipos conhecidos como segmentar e não segmentar, o primeiro assemelha-se as causas descritas pela teoria neural e o último pela teoria autoimune. Manchas ocasionadas por hidroquinona tendem a manterem-se somente nos locais que entraram em contato com a substância.

Doenças autoimunes como diabetes tipo I, tireoidites, lúpus e miastenia estão intimamente ligadas ao vitiligo bilateral e muitas vezes o tratamento dessas doenças pode trazer a redução das manchas brancas. Além disso, o vitiligo pode manifestar-se ao redor de um nevo, termo médico para mancha, pinta ou sinal, marcas provocadas pelo acúmulo de melanócitos que podem ser vistos como câncer em potencial e sofrerem reação do sistema imunológico. Nestes casos o próprio nevo sofre despigmentação e desaparece. O vitiligo aparece relacionado ao câncer quando da evolução de nevos para melanomas.

Tratamento para Vitiligo

Lesões pequenas de vitiligo podem ser tratadas com pomadas de uso tópico à base de corticoides. Devido aos efeitos colaterais deste tipo de medicamento, existem opções tópicas de imunomoduladores conhecidos como o pimecrolimus e o tacrolimus. Quando a progressão das lesões vitiligoides é muito rápida, podem ser receitados corticoides por via oral se não houver relação com doença sistêmica (diabetes, tireoidite, lúpus ou até neoplasias). Se nenhum tratamento para vitiligo surtir efeito, o transplante de melanócito pode ser considerado como última alternativa.

Ao contrário dos pacientes com psoríase, indivíduos com vitiligo não necessitam de sabonetes ou qualquer tipo de hidratação especial. Também não existem restrições médicas quanto a medicamentos ou alimentação, embora antioxidantes, como vitamina C, vitamina E, ácido fólico e betacaroteno possam apontar para eventual melhora das lesões de vitiligo. Quando as áreas brancas ultrapassam 50% do corpo a opção mais comum é promover a despigmentação do restante da pele, como fez Michael Jackson. Por estar ligado ao estresse, o vitiligo pode evoluir à medida que passa a causar problemas sociais relacionados ao preconceito, como dificuldades no cumprimento da rotina. Nestes casos é recomendado acompanhamento psicológico.

O tratamento para vitiligo mais recomendado em função de sua praticidade e segurança, continua sendo a fototerapia. O vitiligo e a psoríase são as únicas dermatoses para as quais a luz solar é recomendada, mas apenas por curtos períodos, no máximo 15 minutos, e sempre com bloqueador solar de no mínimo 30 FPS. Fora isso, as manchas devem ser mantidas fora do alcance do sol, especialmente entre as 10h e as 16h. Quando a exposição prolongada for inevitável, deve-se renovar o bloqueador de duas em duas horas e utilizar outras proteções como camiseta e/ou boné. Luz solar em excesso pode provocar não apenas o aumento da acromia, mas também o surgimento de novos focos de vitiligo.

Pacientes que não consigam exposição regular ao sol podem recorrer a fontes controladas de ultravioleta B, um tipo de tratamento a laser para vitiligo atestado pelos órgãos reguladores dos Estados Unidos (FDA) e do Brasil (Anvisa).

Tratamento para Vitiligo

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