O alto índice de mulheres afetadas pela celulite e a dificuldade de entender suas causas fez, por muitos anos, que os furinhos fossem considerados uma herança genética sem possibilidade de tratamento para celulite efetivo. Na verdade, a genética está presente em diversos comportamentos corporais. Mas em muitos casos é possível entender e reverter manifestações que tragam desconforto, como acontece no tratamento da celulite.
De acordo com o médico Roberto Chacur, autor do livro “Vitória Contra a Celulite”, a predisposição genética influencia diretamente o desenvolvimento da chamada celulite estrutural. “A celulite acontece abaixo da pele e não depende apenas de gordura ou peso corporal. Por isso, muitas mulheres convivem com os furinhos mesmo após dieta, treino e mudanças no estilo de vida”, diz.
Uma das principais influências da genética no surgimento da celulite é a tendência do hormônio feminino de acumular gordura em glúteos e coxas. A maior camada de gordura nas mulheres favorece o aumento de fibras que puxam a pele e formam os furinhos. O fenômeno ocorre especialmente a partir da puberdade, quando aumenta a produção hormonal.
Um outro aspecto genético que causa celulite é a predisposição à flacidez. A perda de sustentação da pele e dos músculos influencia diretamente na visibilidade das irregularidades. Por isso o tratamento com associação de técnicas conhecidas como bioestimulação de colágeno e descolamento subcutâneo demonstram resultados positivos.
Como tratar a celulite e mudar autoestima, apesar da genética
Além da predisposição genética, especialistas apontam que o ambiente familiar influencia a forma como muitas mulheres aprendem a enxergar o próprio corpo desde cedo. Comentários sobre aparência e celulite frequentemente passam a fazer parte da relação feminina com autoestima ainda na adolescência.
Para Nívea Bordin Chacur, CEO das Clínicas Leger, formada em medicina e pós-graduada em nutrologia, é comum atender pacientes que cresceram acreditando que a celulite era inevitável por estar presente em outras mulheres da família. “Muitas chegam ao consultório dizendo que ouviram durante anos que aquilo fazia parte da genética familiar e que precisariam apenas aprender a conviver com os furinhos”, relata.
Segundo ela, essa percepção faz com que muitas mulheres demorem a buscar tratamentos específicos. “Existe uma diferença entre predisposição genética e falta de alternativas. Hoje há abordagens mais direcionadas para tratar a estrutura da celulite”, explica.
Um dos equívocos mais comuns, de acordo com o Dr Chacur, pioneiro no protocolo da GoldIncision de tratamento para celulite, é acreditar que cremes e soluções superficiais conseguem tratar a causa dos furinhos. “Hoje existem formas desenvolvidas para atuar nas estruturas responsáveis pelas irregularidades da pele, buscando resultados mais profundos e duradouros”, afirma.
Chacur observa ainda que aumentou a procura por tratamentos entre pacientes que convivem com a condição desde cedo. “Muitas mulheres cresceram acreditando que precisariam apenas esconder os furinhos. Hoje, a busca é por abordagens que promovam melhora da textura da pele”, conclui.
Inlui trechos da matéria sobre celulite na hereditariedade publicada em O Globo no dia 16/05/2026.